Iniciativa inclui atendimento nutricional e educação alimentar com foco especial em pessoas trans que passam pelo tratamento hormonal
Pessoas LGBTQIA+, especialmente aquelas que passam pela transição hormonal e de gênero, enfrentam desafios relacionados à alimentação e nutrição que impactam na sua saúde e qualidade de vida. Para ajudar estes pacientes, o curso de Nutrição do Centro Universitário de Brasília (CEUB) oferece suporte nutricional específico para essa comunidade. O projeto de extensão “Saúde LGBTQIA+: da inclusão à alimentação” ressalta a importância da alimentação adequada para o sucesso e segurança do processo de redesignação.
O projeto abrange toda a comunidade LGBTQIA+, com atenção às necessidades específicas de quem faz hormonioterapia. O participante recebe um planejamento dietético personalizado, com acompanhamento contínuo e ajustes conforme necessário, com suporte nutricional e suplementação alimentar. O atendimento nutricional é realizado no Centro de Atendimento à Comunidade do CEUB (CAC) e inclui a anamnese, avaliação antropométrica, com medição de peso, altura, circunferências corporais, dobras cutâneas e bioimpedância elétrica.
De acordo com a coordenadora do projeto, Dayanne Maynard, essas avaliações são essenciais para identificar necessidades específicas e planejar intervenções nutricionais. “A nutrição é fundamental para quem passa pela transição hormonal, pois auxilia na eficácia do tratamento e no bem-estar geral do indivíduo. Isso porque a terapia hormonal pode alterar os níveis de gordura e massa muscular, o que influencia nas necessidades nutricionais”.
O projeto do CEUB também promove ações educativas, como oficinas culinárias e rodas de conversas que incentivam a autonomia alimentar, estimulam práticas e hábitos saudáveis. “Queremos gerar impacto positivo na redução de deficiências nutricionais, na prevenção e tratamento de transtornos alimentares e na valorização da aceitação corporal e da saúde integral”, completa a professora, acrescentando que o estado nutricional é relevante para as pessoas trans que planejam realizar a cirurgia de transgenitalização.
Disforia de imagem e transtornos alimentares
Estudos recentes apontam a relevância da disforia de imagem vivida pela comunidade trans. Segundo pesquisa publicada na revista científica Current Opinion in Psychiatry, 10,5% dos homens trans e 8,1% das mulheres trans do mundo relataram ter sido diagnosticados com transtorno alimentar ao longo da vida, reforçando a necessidade de iniciativas voltadas para esse público.
A realidade é ainda mais preocupante no Brasil, onde estudos científicos com aplicações dos instrumentos Eating Attitudes Test (EAT-26), Questionário do Complexo de Adônis (QCA), Escala de Figura de Silhuetas (EFS) e Body Shape Questionaire (BSQ), apontam que 91% das pessoas trans apresentam distorção da imagem corporal.
Serviço:
CEUB oferece atendimento nutricional e apoio à comunidade LGBTQIA+
Local: Edifício União – SCS Quadra 01, Ed. União, 1° Andar
Horário de Funcionamento:
Segunda das 18h às 22h
Informações e marcação de consultas: (61) 3966-1660