Desde 2018, por meio do projeto Brasil Sem Fronteiras, Organização apoia famílias venezuelanas e afegãs refugiadas no país

São Paulo, fevereiro de 2025 – A Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, conquista a marca histórica de 5 mil migrantes e refugiados acolhidos desde 2018, ano de lançamento do programa Brasil Sem Fronteiras, realizado em parceria com a ACNUR, agência da ONU para Refugiados. Por meio da iniciativa, a Organização passou a acolher famílias venezuelanas e afegãs, que abandonaram seus países de origem em razão de crises, conflitos e perseguições e escolheram o Brasil como destino para iniciar uma nova vida.

A marca foi superada com a chegada de mais venezuelanos em São Paulo, Brasília e no Rio de Janeiro. Pessoas como Rafael Angel Blanco Ruiz, que enfrentou diversas privações para chegar ao país. O venezuelano, que está no Brasil com sua esposa e mais seis filhos desde o ano passado, chegou a dormir na rua e a passar fome antes de ser acolhido pelo programa da Organização no Rio de Janeiro. “Sou muito agradecido pelo trabalho da Aldeias Infantis SOS. Após chegar aqui, já no dia seguinte, fiz uma entrevista, fui aprovado e hoje trabalho como auxiliar de cozinha”. Ele e sua esposa vislumbram uma vida melhor em seu novo lar. “Quero muito que meus filhos estudem e se formem na universidade no futuro”, finaliza.

Rafael Angel representa a maioria das famílias participantes do Brasil Sem Fronteiras. São pessoas que, desde 2018, cruzam a fronteira em Roraima, em busca de novas oportunidades, diante da crise socioeconômica instaurada no país vizinho. Além dos refugiados e migrantes da América do Sul, a Organização também apoiou o acolhimento de afegãos até o final do ano passado: desde 2022, eles chegam ao Brasil em grupos no aeroporto de Guarulhos (SP), após golpe de Estado que reinstalou o grupo fundamentalista Talibã no governo de Cabul, capital do Afeganistão.

Somente em 2024, o projeto Brasil Sem Fronteiras contabilizou 369 novos acolhidos, entre 0 e 69 anos, representados por 83 famílias que ficaram sob os cuidados da Aldeias Infantis SOS no último ano.

“Abraçamos essa missão porque acreditamos que ninguém pode se desenvolver e sobreviver dignamente em território estrangeiro se não tiver um apoio de base para se integrar à cultura e à comunidade locais. Além disso, em situações extremas, há sérios riscos de os filhos serem separados de seus país, e nosso compromisso é que nenhuma criança cresça sozinha”, afirma Sérgio Marques, Sub Gestor Nacional da Aldeias Infantis SOS e responsável pelo Brasil Sem Fronteiras.

Neste ano a Organização registrou o nascimento do pequeno Luciano Alfredo filho da venezuelana Francys Andreina que estão sob os cuidados da Aldeias Infantis SOS desde novembro do ano passado. Em 2022, uma família afegã acolhida pela Organização também recebeu a vinda de uma recém-nascida, sendo um dos primeiros bebês afegãos nascido em solo brasileiro enquanto participava de projetos para refugiados.

Em ambos os nascimentos, as equipes da Aldeias Infantis SOS auxiliaram e acompanharam as famílias no pré-natal, encaminhando aos serviços de saúde básica a fim de garantir uma gestação segura e tranquila para mãe e bebê.

Acolhimento e cuidado

Para contribuir com os esforços de acolhida dessas famílias, a Aldeias Infantis SOS oferece serviços que incluem moradia digna e segura, além de suporte para regularização de documentos, validação de diplomas, renovação de vistos, aprendizado do idioma português e elaboração de currículos traduzidos. Ao chegar ao Brasil, as famílias com filhos são cadastradas pelo ACNUR e, posteriormente, encaminhadas para Aldeias Infantis SOS, que apoia o processo de interiorização dos migrantes.

Em média, as famílias ficam três meses sob o cuidado da Organização. Esse é o período necessário para a regularização de documentos, identificação de oportunidades de trabalho e definição de um local para morar de forma definitiva. Atualmente, os venezuelanos ficam nas cidades de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

As crianças são as que mais sentem o impacto do processo migratório e, muitas vezes, não compreendem a mudança drástica de rotina e as dificuldades impostas pela busca de oportunidades melhores em outros países. Além disso, ser jovem e ter de fugir do próprio país pode aumentar os riscos de abusos e exploração e reduzir as chances de acesso à educação. Esse cenário reforça a importância do trabalho da Aldeias Infantis SOS, que atua para que nenhuma criança cresça sozinha.

A maioria das pessoas acolhidas pela Aldeias Infantis SOS é crianças e jovens com idade entre 0 e 17 anos. A Organização trabalha para que nenhuma delas se desenvolva longe de suas famílias e obtenha as condições necessárias para se tornarem cidadãos de direito.

Vida melhor

A jovem venezuelana Eulimar Desireth Gonzales, 17, é uma das acolhidas pela Aldeias Infantis SOS em «mencionar localidade». Antes de ser encaminhada para os cuidados da Organização, ela ficou cinco meses, acompanhada de sua mãe, irmão e filho, em um abrigo em Boa Vista (RR), o principal destino dos venezuelanos recém-chegados no Brasil.  

“Foi um período difícil de minha vida, mas sempre tive esperança. Hoje, sou muito grata por toda a ajuda e todo o cuidado que recebi da Aldeias Infantis SOS. A Organização me ajuda a seguir adiante e me sinto muito agradecida e muito feliz por isso”, diz.  

Eulimar afirma que gosta do Brasil porque não sente o preconceito que o povo venezuelano enfrenta em outros países. “Eu vejo meu futuro neste país. Meu sonho é estudar, trabalhar, me tornar uma profissional e ganhar dinheiro com o meu próprio esforço. Sonho que meu filho tenha educação e estabilidade na vida. Hoje, eu pretendo concluir o Ensino Médio, fazer um curso de Administração e seguir uma carreira profissional”, conta.

Outra acolhida pela Aldeias Infantis SOS é Abraham José, 14, que veio para o Brasil acompanhada do pai, da madrasta, de duas irmãs e de um irmão. “Na Venezuela, minha vida era um pouco difícil. Somente meu pai trabalhava e minha mãe biológica se separou dele quando eu tinha apenas cinco anos. Aqui no Brasil, nossa vida é melhor. É o país onde eu vou poder estudar e trabalhar para poder comprar uma casa para minha mãe na Venezuela”, relata.

Já Marlene Del Valle Mata Tebres, 43, desembarcou no país em 13 de agosto de 2024, junto de seus quatro filhos. Ela chegou na Aldeias Infantis SOS em janeiro deste ano. “Vim para o Brasil para trabalhar e fazer uma nova vida. Aqui na Aldeias Infantis SOS nós somos muito bem tratados. E fomos muito bem acolhidos pelo Brasil, um país onde quero trabalhar e viver. Meu sonho é continuar trabalhando para comprar uma casa própria e ter minha própria vida”, conclui.

Fluxo migratório

Entre 2010 e 2024, o Brasil registrou a entrada de mais de 1,7 milhão de migrantes, incluindo residentes permanentes, temporários e fronteiriços, conforme dados do Boletim das Migrações, ferramenta de monitoramento sobre fluxo migratório estabelecida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus).

O levantamento também mostrou que o País reconheceu mais de 146 mil pessoas como refugiadas e recebeu 450.752 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado. No total, nestes 14 anos, o fluxo migratório para o Brasil foi de cerca de 2,3 milhões de pessoas, ainda de acordo com o Boletim das Migrações, sendo que, nesse período, o maior volume foi de migrantes vindos da Venezuela – um total de 500.636 pessoas.

De acordo com dados atualizados da ACNUR, o Brasil conta hoje com cerca de 585 mil migrantes venezuelanos, sendo o terceiro país da América Latina com maior número de pessoas dessa nacionalidade, atrás apenas da Colômbia e Peru, respectivamente. É justamente para esse grupo socialmente vulnerável que a Aldeias Infantis SOS hoje presta seus serviços por meio do programa Brasil Sem Fronteiras.

Sobre a Aldeias Infantis SOS

A Aldeias Infantis SOS (SOS Children’s Villages) é uma organização global, de incidência local, que atua no cuidado e proteção de crianças, adolescentes, jovens e suas famílias. A Organização lidera o maior movimento de cuidado do mundo e atua junto a meninos e meninas que perderam o cuidado parental ou estão em risco de perdê-lo, além de desenvolver ações humanitárias. 

Fundada na Áustria, em 1949, está presente em mais de 130 países. No Brasil, atua há 57 anos e mantém mais de 80 projetos, em cerca de 30 localidades de Norte ao Sul do país. Ao trabalhar junto com famílias em risco de se separar e fornecer cuidados alternativos para crianças e adolescentes que perderam o cuidado parental, a Aldeias Infantis SOS luta para que nenhuma criança cresça sozinha. 

Para mais informações, acesse o site: www.aldeiasinfantis.org.br/