No Vale do Silício e aqui, os caminhos para a inovação passam por acesso à informação, sistemas de colaboração e lançamento de novos negócios. 

Por Régis Eidi Nishimoto, diretor da Perkons

 

Inovação é palavra de ordem no mundo corporativo. As empresas que não olham para o futuro – e falo de um futuro muito próximo – para enxergar novos modelos de negócios, certamente estão com seus dias contados. Recebemos um número absurdo de informações todos os dias, nos bombardeando com profecias de que a tecnologia vai tomar conta dos mais diversos segmentos da sociedade, das profissões e dos negócios empresariais em todo mundo, mas, absorver o que realmente interessa para nosso mercado e enxergar reais oportunidades de inovação e crescimento são os grandes desafios.

Voltei há poucos dias do Vale do Silício, na Califórnia, onde fui buscar inspiração e conhecimento para traçar caminhos ainda mais promissores para a Perkons e para a Mobilis. O Vale do Silício é o berço da inovação no planeta, o ecossistema mais inovador do mundo. Pessoas desenvolvem e praticam projetos revolucionários há mais de 80 anos  por lá. E também foi de lá que saíram as mais valiosas empresas americanas, além da região sediar 30% das startups do mundo.

O curso do qual participei, focado em inovação corporativa, me deu a oportunidade de sentar ao lado de diretores e presidentes de grandes empresas dos mais diversos segmentos, desde alimentos, farmacêutica, eletroeletrônicos, bancos, até seguradoras, e de todos os lugares do globo, como Portugal, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, Brasil, Rússia, Polônia, México e Filipinas. A convivência com todos esses profissionais e cases me deu a certeza de que o que praticamos no Brasil não está atrás de nenhum país no quesito inovação, e também de que muito do que já temos em mente para Perkons é o que é aplicado no Vale do Silício: transparência e acesso à informação, sistemas de colaboração e lançamento de novos negócios. Mas, também entendi que  precisamos consolidar o processo de inovação dentro da companhia e diminuir o ciclo de lançamento de novos negócios.

A inovação deve atender as demandas e necessidades do seu mercado de atuação, ser economicamente viável, sustentável e, acima de tudo, trazer resultados positivos para seus clientes. Então, como a Perkons, cuja principal atuação está atrelada à fiscalização eletrônica de trânsito, vai desempenhar suas atividades na era em que a inteligência artificial aplicada aos carros autônomos irá reduzir drasticamente o número de acidentes de trânsito? Ou, como vamos atuar com a Mobilis quando não for mais necessário saber dirigir para se locomover em um transporte privado? Perguntas que precisamos responder, nortes que precisamos desbravar.

Mas, para que toda essa mudança aconteça no mundo dos transportes, serão necessárias tecnologia e inteligência na comunicação entre veículos e infraestrutura (tecnologia V2I), passos que ainda não foram dados, não com a rapidez que muitos anunciam. Sabemos ainda que haverá um longo período de convivência entre veículos autônomos e veículos convencionais. Logo, buscar soluções para que essas duas realidades coexistam, pode ser o foco da Perkons. Além disso, a mesma tecnologia que é aplicada aos simuladores de direção será utilizada para a validação dos modelos de piloto automático dos veículos autônomos, o que abre uma grande oportunidade para a Mobilis.

O importante é estar, constantemente, olhando para o futuro, mas sem perder o foco no presente e no seu negócio; é criar novas alternativas para levar aos nossos clientes soluções que resolvam seus problemas, antes que a concorrência o faça. Ainda, inovar também no aprimoramento contínuo dos processos, serviços e produtos que asseguram o sucesso dos nossos negócios. E o caminho para isso é a experimentação: tentar, ver o que funciona, aprender rapidamente com os erros e seguir em frente. Isso é ser inovador.

Régis Eidi Nishimoto é graduado em Engenharia Elétrica pelo CEFET-PR; Graduação sanduíche na Fachhochschule Heidelberg – Alemanha; especialista em Gestão Empresarial pela FAE Business School; Mestre em Ciências pela UTFPR, defendendo dissertação “Novas Geometrias de Laços Indutivos”; MBA pelo Baldwin-Wallace College – EUA. Atuou na Perkons como engenheiro de desenvolvimento de hardware (2002-2005), gerente de suporte técnico e TI (2006-2008), gerente de operações (2008-2012). Atualmente acumula os cargos de Diretor Técnico e Diretor Administrativo-Financeiro. Trabalhou em empresas como Global Telecom (atual Vivo), Philips Semiconductors GmbH (Starnberg/Alemanha), Siemens AG (Bruchsal/Alemanha), Siemens (Brasil) e Furukawa (Brasil). Intrapreneur, está experimentando novos negócios e é responsável pela Transformação Digital da companhia.