Novo fundo do México e da FAO apoiará países do Caribe a criar iniciativas de grande impacto para melhorar sua resiliência às mudanças climáticas.

Quatorze países da Comunidade de Estados do Caribe (CARICOM) irão elaborar vários projetos para mobilizar recursos de fontes internacionais que lhes permitam melhorar a resiliência e a adaptação de sua agricultura, sistemas alimentares e comunidades rurais às mudanças climáticas.

Os projetos serão possíveis graças a um novo fundo criado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AMEXCID).

José Graziano da Silva, Diretor Geral da FAO, e Luis Videgaray, Secretário de Relações Exteriores do México assinaram hoje em Roma o acordo que cria o fundo, que terá um orçamento inicial de 500 mil dólares, contribuído em partes iguais (250 mil dólares cada).

Esse capital será usado como um recurso de pré-investimento que permitirá mobilizar milhões de dólares para projetos de resiliência e adaptação.

“Graças ao apoio da Agência Mexicana de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, 14 países da CARICOM elaborarão 27 projetos para mobilizar recursos contra as mudanças climáticas”, explicou José Graziano da Silva.

“Todos sabemos que o Caribe é uma das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas. Vimos isso na última temporada de furacões, onde a ilha de Dominica e Barbuda foram praticamente destruídas “, disse Videgaray durante a assinatura (ver vídeo).

Os países que desenvolverão os projetos são: Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Guiana, Haiti, Jamaica, Saint Kitts e Nevis, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia, Suriname e Trinidad e Tobago.

Dez dos projetos caribenhos serão apresentados ao Fundo Verde para o Clima, doze ao Fundo Global para o Meio Ambiente e cinco para vários mecanismos da União Europeia. O foco dos projetos é comunidades rurais em situação de pobreza e vulnerabilidade climática.

Troca entre especialistas para melhorar a institucionalidade

O fundo entre o México e a FAO também apoiará os países da CARICOM no desenvolvimento de suas capacidades institucionais e técnicas de planejamento, tomada de decisões e gerenciamento de projetos que lhes permitam enfrentar de melhor forma os desastres naturais e os eventos climáticos extremos.

Por essa razão, especialistas mexicanos e da FAO trabalharão lado a lado com as contrapartes caribenhos na elaboração e implementação dos projetos.

“O fundo é uma combinação de recursos financeiros e recursos humanos”, explicou Videgaray.

Construir resiliência é o trabalho de todos

Construir resiliência requer a melhoria da qualidade da infraestrutura, com ações como a correção e o reforço de canais fluviais e da rede de cabos subterrâneos de instalações elétricas.

Mas esses são investimentos caros e os países do Caribe nem sempre têm o capital necessário para implementá-los.

“É aí que entram os fundos internacionais que esta iniciativa do México e da FAO permitirá conseguir. Os recursos estão lá, mas muitas vezes os países caribenhos não podem acessá-los porque seus projetos não estão devidamente preparados tecnicamente “, explicou Videgaray.

O secretário de Relações Exteriores do México explicou que o fundo assinado entre a FAO e o México é um acordo aberto a outros países.

“Já temos a boa notícia de que o governo do Canadá irá unir-se aportando recursos. E é importante que isso aconteça porque o desafio é enorme. Temos de reconhecer que o Caribe não está gerando as mudanças climáticas, mas que é uma das regiões mais afetadas, então todos nós temos a responsabilidade de contribuir “, explicou Videgaray.

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